Rio de Janeiro. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), voltou a defender ontem o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), durante uma solenidade de formatura de 489 soldados no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), na capital fluminense.
Na avaliação de Cabral, a maioria dos políticos que a derrubaram a CPMF "perderam as eleições". "A derrota que eu mais senti no Senado Federal em 2008 foi a derrota da CPMF. E aqueles que a derrotaram perderam as eleições. Eles acharam que estavam fazendo um bem para o povo, mas não foram reconhecidos nas urnas. A grande maioria dos senadores que votou contra a CPMF perdeu a eleição. Cometeram um erro para o país", defendeu.
Na opinião do governador, a CPMF é um imposto que tributa um valor relativamente baixo. "É bom para o controle financeiro do país. Ela tributa também só aqueles que têm conta bancária. E o pobre não tem conta", disse.
Cabral ponderou que não há verbas suficientes para atender a atual demanda de saúde pública no país. "Basta ver o gasto per capto da Argentina, Uruguai, Chile e do Brasil", defendeu. Para ele, o dinheiro hoje destinado à saúde não é suficiente, sendo necessário criar mais recursos, já que a demanda da população tem aumentado. "O gasto aumentou e temos que pagar os médicos. Sobretudo os de especialidades raras", argumentou.
Carga. Questionado se a carga tributária do brasileiro já não é grande demais, Cabral respondeu que ela está na média de alguns países. "Falar em aumento de tributo nunca é bom, mas esse é pequeno", avaliou.
Apesar de se dizer contra o aumento de tributos, Cabral disse que, no caso específico da CPMF, "é um apelo" que faz ao Congresso.