São Paulo. O tempo quente associado à baixa umidade do ar favorece uma doença oportunista, com sintomas pouco conhecidos pela maioria das pessoas e que no começo pode parecer um simples resfriado. É a coqueluche. A doença, que até pouco tempo estava adormecida no país, volta a preocupar as autoridades de saúde.
A coqueluche atinge o sistema respiratório e, apesar de acometer principalmente crianças menores de 5 anos, também é transmitida para adolescentes e adultos. Sem o tratamento adequado, pode levar à morte. Em 2010, o Departamento de Informática do SUS (Datasus), do Ministério da Saúde, registrou 427 casos. Até agosto deste ano, o número já ultrapassou essa marca, chegando a 593 registros - foram computadas 16 mortes, sendo uma delas em Minas. Do total de infectados, 451 tinham menos de 1 ano.
"Quando não há cuidado, as crianças se tornam alvo fácil porque têm o sistema imunológico mais indefeso, com grandes chances de desenvolverem complicações como a pneumonia e a insuficiência respiratória, que podem provocar paradas respiratórias", alerta a médica Luiza Helena Falleiros Arlant, vice-presidente da Sociedade Latino Americana de Infectologia Pediátrica.
Sintomas e vacina. O médico Renato Kfouri, presidente da Associação Brasileira de Imunizações (Sbim), explica que a dificuldade do diagnóstico muitas vezes é explicada pela semelhança dos seus sintomas com os de um resfriado. Nas duas primeiras semanas, a coqueluche se caracteriza por uma tosse intensa. Na terceira e quarta, ela traz dor de cabeça e vômitos, que desaparecem no fim desse período. O que pode complicar ainda mais o diagnóstico é que um terço dos infectados não apresenta sintomas, mas transmite a doença.
Segundo um estudo realizado na Alemanha, quem teve a doença na infância pode voltar a contraí-la entre os 20 e 63 anos. A vacina, segundo os médicos, é considerada a melhor forma de evitar a contaminação, que acontece por meio de gotículas de água expelidas na tosse de portadores da doença.
Renato Kfouri recomenda três doses aos 2, 4 e 6 meses, seguidas por dois reforços: o primeiro aos 15 meses e 18 meses e o segundo aos 4 e 6 anos. "Após esse período, é preciso tomar uma dose aos 15 anos e, depois, a cada década. É bom procurar um médico porque a imunidade da vacina cai com o passar do tempo - cerca de sete a 12 anos depois".