BRASÍLIA. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda, por meio do Alerta nº 1107, emitido ontem, uma espécie de "recall" nas próteses de silicone comercializadas no Brasil pela empresa francesa Poly Implants Protheses (PIP).
Cerca de 25 mil brasileiras utilizaram essas próteses mamárias, suspeitas de provocar câncer. Por meio de nota, a Anvisa orienta essas pacientes que procurem seus médicos para uma avaliação clínica.
Ao mesmo tempo, determina que os profissionais de saúde contatem as pacientes "para definirem a melhor conduta a ser adotada".
Os serviços médicos e os profissionais de saúde, conforme a determinação da Anvisa, devem notificar todos os casos envolvendo eventos adversos, entre os quais câncer, diagnosticados nas pacientes.
Devem ainda comunicar à agência as operações de retirada do implante mamário preenchido com gel de alta coesividade - nome comercial do produto da PIP, registrado no Brasil com o número 80152300001. "A notificação deve ser feita pelo formulário "Notivisa", com acesso pelo portal da Anvisa", esclarece.
A Anvisa informa, na nota, que as autoridades brasileiras ainda não definiram se vão recomendar a imediata retirada das próteses, como ocorreu na França. Isso porque não está definitivamente comprovado que a prótese provoca câncer.
A agência esclarece também que "vem mantendo contato com a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (AFSSAPS) e acompanha as informações do caso".
Orientações. Nos últimos dias, a agência francesa, conforme a nota da Anvisa, publicou informes com orientações a pacientes e cirurgiões. Em reunião realizada com um comitê de acompanhamento de mulheres que possuem o implante mamário, foram apresentados dados de suspeitas de eventos adversos graves, inclusive câncer, em pessoas portadoras desses implantes. "No entanto, esta relação causal não está estabelecida", pondera.
Implantes mamários de silicone no país
Números. No Brasil, são realizados a cada ano mais de 100 mil implantes mamários de silicone, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Suspensa. No país, o produto da empresa francesa teve sua comercialização suspensa em 1º de abril de 2010 por meio da resolução 1558/2010, da Anvisa.