A remoção de árvores do canteiro central da Avenida Rio Branco, no Bairro Manoel Honório, Zona Leste, devido às obras de reestruturação da via, provocou protestos por parte de trabalhadores e moradores da região. A mobilização partiu de funcionários da Receita Federal, ao perceberem que exemplares localizados em frente ao prédio do órgão seriam retirados. Por volta das 15h, um grupo de cerca de 20 pessoas realizou um abraço coletivo em torno de uma palmeira imperial, a fim de chamar atenção para a retirada. A aposentada Myrian Bisaggio, que mora em um endereço próximo ao local, foi mais radical, e resolveu abraçar uma sibipiruna, enquanto equipes de trabalho cavavam a terra para fazer a remoção. Ela permaneceu no local por mais de duas horas, das quais boa parte esteve na companhia da manifestante Elma Trindade. Antes de deixar o local, Myrian chegou a utilizar um pedaço de raiz para retornar a terra removida para o canteiro.
"Não acredito nessa história de que as árvores serão replantadas. Da forma como o serviço está sendo feito, no máximo, será fincado um toco morto na terra", disse Myrian, sobre a atuação da Prefeitura. Ela se referia à transferência dos exemplares da Rio Branco para as margens do Rio Paraibuna. "Só saio daqui se eles interromperem o serviço", declarou a aposentada, que acabou deixando o local, devido a compromissos. No entanto, ela afirmou que monitoraria os trabalhos, inclusive durante a madrugada, para tentar impedir a remoção. O auditor fiscal Eduardo Batista, que participou do protesto, reclamou da falta de esclarecimentos sobre as alterações. Na opinião dele, a real necessidade da retirada das plantas não ficou comprovada.
Diante das manifestações, os funcionários que atuavam no local interromperam os trabalhos, e o responsável pela empresa que faz a mudança das árvores, Cláudio Amaral, foi ao local prestar esclarecimentos. Ele disse que as intervenções no trecho em questão começaram a ser feitas na terça-feira e, até a tarde, já haviam sido removidas sete árvores das 11 previstas na área. "Temos as autorizações necessárias para fazer isso. Além disso, as plantas estão sendo colocadas às margens do Paraibuna, onde muitas já estão com novos brotos. Uma ou outra não resiste, muitas vezes, porque já estava doente."
Autorização
Ao ser acionada pelos manifestantes, a Polícia Militar Ambiental esteve no local e solicitou aos responsáveis pelo transplante das árvores que apresentassem a autorização dos órgãos competentes para a realização dos trabalhos. Ao final da tarde, Cláudio Amaral retornou ao canteiro de obras, portando uma cópia do documento que atesta a licença da Agência de Gestão Ambiental de Juiz de Fora (Agenda JF). Ainda assim, os policiais fizeram um Boletim de Ocorrência para que a situação ficasse registrada, embora, inicialmente, não houvesse irregularidades no serviço. Hoje, os manifestantes voltariam a se reunir para avaliar novas possibilidades de interromper a retirada das árvores.
A Secretaria de Obras informou, por meio da assessoria, que as mudanças são necessárias para viabilizar as intervenções na Avenida Rio Branco, as quais buscam melhorar questões como visibilidade, trafegabilidade e iluminação. No trecho em questão, a retirada da vegetação se deve à ampliação das faixas para motoristas. O setor também informou que os novos canteiros recebem plantas em estágio avançado de desenvolvimento, e, não, mudas. Ao todo, serão replantadas 140 árvores ao longo da Rio Branco.