O deputado Durval Ângelo (PT) foi ouvido pela Polícia Civil de Belo Horizonte na tarde desta segunda-feira (30). Ele e outras três pessoas, que investigavam o desaparecimento e morte da modelo Eliza Samudio, teriam sido alvo de ameaças do ex-policial civil Marcos Aparecido, o Bola.
Durante o depoimento, que durou aproximadamente 40 minutos, o parlamentar negou aos delegados Wilson Luiz e Islande Batista que tivesse recebido algum tipo de ameaça. No entanto, contou que ficou sabendo da situação através de terceiros e da mídia.
Durval ainda disse que anda sob escolta por causa dos casos investigados pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, da qual ele faz parte.
A polícia ainda pretende ouvir a juíza do Tribunal do Júri da comarca de Contagem, Marixa Fabiane Rodrigues, o delegado Édson Moreira, chefe do Departamento de Homicídios, e o advogado José Arteiro Cavalcante, defensor da família Samudio.
Denúncia
As denúncias partiram do presidiário Jaílson Alves de Oliveira. Segundo ele, o goleiro Bruno Fernandes de Souza, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o 'Bola', além de 'Macarrão', teriam contratado o traficante Francisco Bonfim Lopes, o "Nem da Rocinha", integrante do grupo criminoso Comando Vermelho, para matar a juíza, o delegado, o parlamentar e o advogado.
Jaílson Alves de Oliveira teria ouvido a confissão do próprio 'Bola', de quem era companheiro de cela na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria. Após a denúncia, o ex-policial foi transferido para o presídio de São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Eliza Samudio
O ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza, que seria amante de Eliza Samudio, é acusado de encomendar a morte da modelo. O atleta, o amigo dele, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; o primo Sérgio Rosa Sales e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, respondem aos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver.
Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, na época mulher do atleta; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; Elenílson Vítor da Silva, e Fernanda Gomes de Castro, namorada do jogador, respondem pelos crimes de sequestro e cárcere privado.
O julgamento que definirá o futuro dos acusados deve ocorrer nos próximos meses. Em agosto, a Justiça decidiu, pela segunda vez, que os oito vão a júri popular pelo crime envolvendo a ex-modelo. Durante a audiência, os desembargadores Doorgal Andrade, Hebert Carneiro e Delmival de Almeida Campos, da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), reforçaram a decisão tomada pela juíza Marixa Fabiane, do 1º Tribunal do Júri de Contagem.
Eliza Samudio está desaparecida desde o dia 4 de junho de 2010, quando fez um último contato telefônico com uma amiga. Segundo a polícia, ela foi morta e teve seu corpo esquartejado. No entanto, os restos mortais da ex-modelo não foram localizados até hoje.