Rio de Janeiro. Com a ajuda de cães farejadores, mais dois pedaços de corpos foram encontrados no depósito no município de Duque de Caxias, para onde estão sendo levados os destroços dos desabamentos de três prédios na Avenida Treze de Maio, no centro do Rio de Janeiro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, dez restos mortais não identificados já foram encontrados no local.
A Associação das Vítimas da 13 de Maio reclama que houve pressa da prefeitura em limpar o local da tragédia. "Deviam ter feito uma busca minuciosa para permitir que as pessoas encontrassem seus entes queridos em melhor estado. Houve preocupação em tirar os escombros do olhar dos curiosos e, principalmente, da vista dos turistas", afirmou a advogada da entidade, Simone Argolo Andrews.
As partes de corpos encontradas foram encaminhadas para o Instituto Médico Legal. No caso da
impossibilidade identificação pela impressão digital ou arcada dentária, os fragmentos de ossos e dentes serão submetidos a exames de DNA. Com o reconhecimento dos corpos de Daniel de Souza Jorge Amaral, 26, e Miriene Lopes dos Santos, 66, agora já são 15 corpos reconhecidos dos 17 resgatados nos escombros.
Cinco pessoas ainda estão desaparecidas.
Investigação. A investigação da Polícia do Rio sobre a causa do desabamento está concentrada na obra que a empresa Tecnologia Organizacional (TO) realizava no nono andar do edifício Liberdade. Testemunhas contaram que os operários faziam um intenso transporte de sacos com restos de obras no dia do acidente.
Imagens exibidas pela Rede Record mostram a obra da TO uma semana antes do desmoronamento. As paredes e o teto estão arrebentados. Vários sacos de entulho podem ser vistos nas imagens. Os sócios da empresa garantiram que o entulho foi retirado antes do desabamento.
Ontem, após o sepultamento do analista de sistemas da TO Daniel de Souza Jorge Amaral, a irmã dele, Danielle Amaral, de 33 anos, contou que o irmão reclamava dos pequenos pedaços de reboco que caíam do teto e afirmou que ele ouvia estalos no prédio.
Missa de 7º dia
Luto. O arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, celebrou ontem uma missa em homenagem às vítimas no salão nobre da Câmara dos Vereadores.
Esperança. Antes da cerimônia, Vera Lúcia Guitahy, mãe de Bruno Guitahy, 25, se emocionou ao falar sobre a esperança de ver o filho vivo: "Meu sentimento de mãe acredita que ainda há possibilidade de encontrar ele com vida".