A pequena cidade de Teixeiras, na Zona da Mata mineira, está em luto pela trágica morte de quatro irmãos - três crianças e uma adolescente -, assassinados a machadadas na madrugada de anteontem. O principal suspeito de autoria dos crimes é o pai das vítimas, o lavrador Arlindo de Arruda, 34, que estaria inconformado com a saída dos filhos de casa.
Arlindo foi encontrado enforcado, no mesmo dia, a 6 km do local do massacre. Apesar dos indícios de homicídio seguido de suicídio, a família do lavrador acredita que Arruda também tenha sido assassinado. É o que pensa, inclusive, a ex-mulher dele, a empregada doméstica Zenaide Luzia Lima de Arruda, 27, mãe das três crianças e madrasta da adolescente - filha biológica do lavrador. "Ele podia ter seus defeitos, mas nunca faria isso com nossos filhos. Além do mais, o corpo dele também tinha sinais de agressão", afirmou.
Os crimes foram descobertos na manhã de anteontem, quando Ronaldo Alves Custódio, 17, visitou a casa das vítimas, na área rural de Teixeiras. Ao abrir a porta da sala, que estava entreaberta, ele encontrou o corpo da amiga Danielly Arruda, 17, no sofá da sala. No quarto, estavam as crianças: Kauane Vitoria Lima de Arruda, 4, Kaue de Lima Arruda, 6, e Kauan de Lima Arruda, 8. Todos tinham ferimentos profundos na cabeça e no tórax.
A Polícia Militar acredita que duas crianças tenham sido mortas enquanto dormiam. Foram encontrados vestígios de que uma das vítimas teria sido assassinada no quintal e o corpo, arrastado para dentro da residência. As armas do crime, um machado e um pedaço de ferro pontiagudo, estavam ensanguentadas.
Na estrada vicinal a caminho da cidade de São Miguel do Anta, onde moram parentes da família, a polícia encontrou o corpo do lavrador pendurado em uma árvore. De acordo com o policial Washington Luiz Teixeira, da delegacia de Teixeiras, não havia qualquer indício de que outra pessoa, que não Arlindo, tenha cometido os assassinatos.
Na cidade de Teixeiras e região, não faltaram especulações sobre o que teria motivado os crimes. De acordo com a própria Polícia Civil, há boatos de que Arlindo não aceitava que os filhos fossem morar com a ex-mulher em São Paulo.