Aumento de prisões por tráfico de drogas, transferências de presos e briga entre facções criminosas em Juiz de Fora. Os temas e dados sobre segurança pública foram apresentados pela polícia, na segunda-feira (6), em uma reunião na Câmara Municipal da cidade. Participaram também vereadores e deputados.

Nos últimos meses, a cidade tem sido alvo de operações para combater organizações criminosas do Rio de Janeiro, São Paulo e Nordeste e bairros foram ocupados pela PM. No fim de outubro, por exemplo, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi julgado por tráfico e homicídios. Ele foi condenado a mais de 15 anos.

Chegada de facções criminosas
Segundo o comandante da 4ª Região Militar de Juiz de Fora, coronel Marco Aurélio Zancanela do Carmo, criminosos ligados ao PCC chegaram no município a partir de 2020. Contudo, anteriormente, grupos da Zona da Mata mineira tinham ligação com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro.

Em 2022, começou a disputa entre as facções nos bairros Santo Antônio e Vila Ideal. “Se você tem uma facção atuando, há uma tendência de disputa. A disputa fora da lei envolve homicídios, e começa uma onda de crimes”, afirmou.

Força-tarefa

Com o aumento de crimes, uma força-tarefa, formada por policiais civis e outros órgãos de segurança, começou na cidade. “Fizemos mapeamento das situações mais críticas e já tivemos bons resultados”, explicou o delegado Márcio Rocha.

“A força-tarefa tem o objetivo de reprimir qualquer organização paraestatal que poventura esteja tentando se infiltrar ou trabalhar em Juiz de Fora”, afirmou o superintendente de Investigação e Polícia Judiciária da Polícia Civil, Júlio Wilke.

Em agosto deste ano, mais de 400 policiais cumpriram 160 mandados e desarticularam um grupo criminoso que movimentou R$ 3,5 bi em MG, RJ, SP e ES. Na ocasião, eles usavam empresas de fachada em Juiz de Fora para lavagem de dinheiro, vindo do tráfico de drogas.

Presos transferidos
Marcio Vinicius da Paixão Vieira, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi julgado por tráfico e homicídios em Juiz de Fora — Foto: Senad/Divulgação
Marcio Vinicius da Paixão Vieira, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi julgado por tráfico e homicídios em Juiz de Fora — Foto: Senad/Divulgação

Ainda durante a reunião, foi informado que criminosos do PCC estão sendo transferidos de Juiz de Fora para outras cidades de Minas Gerais, como Uberlândia, Uberaba e Patos de Minas. Já os ligados ao Comando Vermelho, que são em maior número, permanecem na cidade.

“Chegamos a ter conflitos, mas isso continua em apuração. Mas antes que houvesse outros problemas no complexo penitenciário de Juiz de Fora, optamos por separar”, explicou o diretor regional da Polícia Penal da 4ª Região, Jefferson de Alcântara.

Também foi aberto, conforme ele, um pavilhão em Muriaé para abrigar os chefes do Comando Vermelho. A 4ª região, de acordo com Jefferson Alcântara, tem 3.701 vagas e 5.400 presos.

Dados

Veja abaixo números de crimes e prisões em Juiz de Fora apresentados na reunião, segundo a polícia, entre janeiro e outubro de 2022 e 2023.

As prisões por tráfico de drogas subiram de 670 em 2022 para 1.118 neste ano;

Ao todo, 7.296 pessoas foram detidas entre janeiro e outubro de 2023. No mesmo período do ano passado, 5.382;

As prisões por crimes violentos ficaram em 241, contra 205 anteriormente;

A apreensão de armas de fogo também cresceu, de 238 para 294;

Queda no número de crimes violentos de 729 para 641;

Os homicídios cresceram de 50 para 63.
 





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08/11/2023
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